Seg 19 Jul 2010
Para especialista, educação ambiental tem importância “incontestável” no trabalho pedagógico
Publicado por Supereco sob geralEm 2010, o Programa Rigesa de Educação Ambiental completa 10 anos. Idealizado em 2001, acontece nos municípios onde a empresa de embalagens mantém sedes em atividade – Valinhos (SP), Blumenau e Três Barras (SC), Pacajus (CE) e Feira de Santana (BA). Ao longo de uma década, o Programa formou mais de 4,5 mil professores, no intuito de sensibilizar educadores e alunos do quinto ao sexto ano do ensino fundamental das redes estadual, municipal e particular, nas escolas parceiras do projeto.
Desde o ano de 2007, o Programa conta com monitoramento e avaliação dos resultados obtidos pelas escolas e cidades atendidas. Para a execução, a Rigesa tem a parceria das ONGs Instituto Supereco (regiões Nordeste e Sudeste) e SPVS (Sociedade Protetora da Vida Selvagem), que atua na parte Sul do país.
A Organização das Nações Unidas (ONU) declarou 2010 como o “Ano Internacional da Biodiversidade”. Em apoio à decisão da entidade, o Seminário deste ano levou aos educadores das escolas participantes, entre junho e julho, conteúdos e atividades práticas para aplicação em sala de aula sobre a biodiversidade brasileira.
O Programa tem contribuído tanto para a abordagem da educação ambiental como tema transversal em todas as disciplinas, bem como estimulado o desenvolvimento de ações e projetos nas escolas parceiras. A expectativa é de que, em breve, esteja no ar também um site oficial do Programa. Na página, alunos e educadores poderão compartilhar e divulgar experiências, baixar publicações e conhecer notícias sobre pesquisas científicas que possam inspirar planos de aulas.
Na avaliação da professora Mônica Simons, bióloga e veterinária com 32 anos de atuação na promoção da educação ambiental, o Seminário formou pessoas com consciência ambiental, sabedoria esta ensinada aos alunos dentro das escolas, locais onde se fortalecem a “criticidade” e a “autonomia dos cidadãos”.
Em entrevista ao Blog Supereco, Mônica - hoje diretora do CEAG (Centro de Educação Ambiental de Guarulhos SP) e consultora do Instituto Supereco - faz um balanço dos dez anos do Programa. Em pauta, as realizações, as relações entre alunos e educadores e a importância da educação ambiental para a sociedade.
1-Qual a importância da educação ambiental na formação escolar?
Pela sua dinâmica de regularidade de atividades, por ter um público de
contato cotidiano garantido, por ser um espaço potencial de oferta de
ampliação de horizontes sócio-culturais e por pressupor um processo na
construção de conhecimentos e práticas formativas, entendemos que seja um
espaço privilegiado, mesmo a despeito de todos os desvios que historicamente
vem enfrentando. Principalmente na Educação Infantil e no Ensino Fundamental, entendemos que seja estratégica a presença da Educação Ambiental de forma
transversal, inter e transdisciplinar por ser, comprovadamente, nesta
faixa que se constroem os alicerces de visão de mundo e compromisso com a
vida.
Por outro lado, partindo das faixas etárias iniciais ao dar
continuidade em todos os níveis de ensino formal, o que inclui instâncias de
educação para adultos como o nosso EJA (ou o Life Long Learning segundo
a - CONFINTEA - Conferência Internacional de Educação para Adultos, Dez/09.
Belém do Pará - Bahia) e pautados nos princípios do Tratado de Educação
Ambiental para Sociedades Sustentáveis e Responsabilidade Global, entendemos
a escola como ferramenta estratégica para promover e/ou fortalecer a
criticidade, o empoderamento e a autonomia dos cidadãos
2- Como a proposta do programa prevê que a educação ambiental seja abordada de forma transversal, isto é, não como uma disciplina específica, de que maneira é
possível fazer com que o conteúdo seja passado e entendido pelos alunos?
Desde as primeiras edições, o programa sempre advogou a favor de que não
somente os professores de ciências participassem dos Seminários, mas, pelo
contrário, professores das mais diversas áreas. Por outro lado, todos os
materiais de apoio produzidos sempre tiveram um formato e um conteúdo
explicitamente inter e transdisciplinar, ofertando atividades que durante o
próprio seminário pudessem demonstrar, na prática, a interdisciplinaridade.
Da mesma forma, ao longo do ano letivo, os alunos dos 5º. E 6º. Anos das escolas parceiras recebem recebem o Jornal de Educação Ambiental Rigevida, que traz informações científicas em linguagem adequada e com interatividade, assim aprendem os conteúdos brincando. O professor também recebe o Exemplar do Professor com sugestões para abordar o tema desse jornal em sala de aula
Entendemos também que o conteúdo não deva ser “passado”, mas apresentado aos
alunos como um caminho de provocação construtiva, levando-os a refletir e a
desenvolver seu senso crítico ao serem desafiados dentro da potencialidade
das diversas faixas etárias, respeitando os Ciclos de Vida, no sentido de
levá-los a compreensão da sua relação com o meio ambiente num processo de
sensibilização, e desenvolvimento de competência e responsabilidade na busca
pela sustentabilidade dentro e principalmente fora da escola, na comunidade
onde o educando vive e convive, enquanto “editor” dos conteúdos com os quais
ele tomou contato, indo muito além de superficialidade da informação per
se, muitas vezes traduzida em notas altas nas provas, mas, nenhum compromisso
com a vida.
3- Qual o saldo que você faz dos 10 anos de Seminário? O que mudou na
visão de quem recebe as informações e também na percepção de quem passa o conteúdo?
Considero ser um balanço muito favorável por vários motivos, a saber:
- A característica de continuidade e processo
- A quantidade de escolas beneficiadas envolvendo não somente os professores
mas também os educandos que são subsidiados com os diferentes materiais de
apoio temáticos;
- A modalidade de interatividade garantida, junto aos educandos, via Jornal
de Educação Ambiental Rigevida;
- O trabalho dos educadores sendo reconhecido explicitamente ao poder
divulgá-lo em instâncias como o “Varal de Idéias”
- O investimento corporativo tanto na qualidade dos materiais de apoio
ofertados, como na concretização da avaliação dos resultados do Programa via
“monitoramento”, tanto via telefone como in loco.
Quanto à mudança da visão de quem recebe: principalmente conversando com
educadores que acompanham o programa em várias edições, eles são categóricos
afirmando que o programa tem qualificado de forma incontestável o trabalho
pedagógico por eles realizado, trazendo informação e oferta de dinâmicas
perfeitamente aplicáveis na realidade de sala de aula.
Quanto à percepção de quem aborda os conteúdos ou participa dos
seminários e de todos os processos dele decorrentes: é evidente que ao longo
do tempo toda a dinâmica foi amadurecendo, ganhando maior profundidade,
propriedade e objetividade! Isto foi promovendo um crescente grau de
confiança e familiaridade de todos os que direta ou indiretamente estamos
envolvidos no programa promovendo, necessariamente, uma maior qualidade não
somente nos processos, mas também nos resultados. Outro aspecto importante,
no nosso entender, são os laços afetivos que com o passar do tempo foram
sendo consolidados, o que implica numa confiança crescente e numa salutar
condição de liberdade, contribuindo com o gradativo e crescente
amadurecimento do programa na complexidade de todos os seus processos.
Enviar por e-mail. Hits para esta publicação: 155.