A artesã Ivana Pagnota, uma das alunas do curso de Educomunicação e integrante do grupo Ciclos Contínuos do projeto “Água de Beber, de Comer, de Usar e Conservar…Ciclos Contínuos”, colaborou com o documentário que aborda a necessidade de conservação do mangue do Araçá, uma das poucas reservas que ainda abriga diversas espécies de animais e plantas do ecossistema manguezal do litoral norte. Segundo especialistas do CEBIMAR – Centro de Biologia Marinha da Universidade de São Paulo - algumas espécies são endêmicas, ou seja, não existem em nenhum outro local do planeta.
O vídeo alerta para o fato de que há um projeto de aterramento do mangue para a ampliação do Porto de São Sebastião, o que, na opinião de ambientalistas, é um crime contra a natureza.
De acordo com estudos o aterro fará desaparecer uma área de mangue de cerca de 500 mil m², equivalente a um terço do parque do Ibirapuera, em São Paulo. Em razão da rica biodiversidade, a baía é usada como “laboratório aberto” pelo CEBIMar – base de São Sebastião.
Segundo o diretor do CEBIMar, Alvaro Migotto, em entrevista ao jornal Folha de São Paulo do dia 12/03/08, o projeto é considerado uma temeridade. “Estamos reunindo estudos técnicos para apresentar ao Estado. Além do mangue, essa obra deve afetar outras praias da região, porque as praias ‘trocam’ areia umas com as outras e quando uma é modificada, outras podem ter alterações”, afirmou Migotto.
Em assembléia ocorrida em fevereiro deste ano no plenário da Câmara Municipal de São Sebastião, o representante do Cebimar/USP, professor Augusto Flores, lembrou que “a eliminação do Mangue do Araçá representará a perda de um patrimônio natural e da biodiversidade representada por sua riqueza biológica, com mais de 600 espécies registradas”.
A idéia das filmagens surgiu depois que a artesã Ivana Pagnota conheceu a situação em que o mangue do Araçá se encontra e dos riscos que o novo empreendimento oferece a toda região. “Fiz o curso de Educomunicação que a Supereco nos ofereceu e através de uma de suas professoras, a Carmem Gattás, fiquei sabendo que haveria um curso de documentário oferecido pela USP, em São Sebastião. Foi aí que surgiu a idéia de fazer este documentário”, conta Ivana.
O documentário contou com a participação de outros membros da oficina de Educomunicação como o aposentado Arão Amaral e a professora Lucia Helena dos Santos, além do educomunicador Luiz Henrique Altiere Soares e membros do projeto Bem Te Vi e do Centro Cultural São Sebastião Tem Alma. A equipe realizou entrevistas com especialistas da área de biologia marinha, moradores, pescadores e artesãos da região do mangue, além de representantes da Companhia Docas de São Sebastião.
As filmagens foram concluídas em agosto e ainda não há datas e locais para a veiculação do vídeo.
Ivana finaliza reafirma a importância de se preservar a região do mangue que é rica em biodiversidade marinha. “O objetivo do documentário foi sensibilizar mais pessoas para que possa haver um consenso e que a construção do porto possa ser feita de outra forma”, conclui.

